
Anthropic consegue vitória nos EUA e fica de fora da lista do Pentágono
Na noite de quinta-feira (27), um juiz federal decidiu que a decisão do Pentágono de classificar a desenvolvedora de IA Anthropic como um "risco para a cadeia de suprimentos" violava a lei e ordenou a remoção da classificação.
A juíza Rita Lin escreveu que, embora os militares devam ter ampla liberdade para decidir com quais empresas devem trabalhar, as ações contra a Anthropic "constituíram retaliação ilegal em violação da Primeira Emenda" e que a companhia "teve negado o processo prévio à privação exigido pela Quinta Emenda".
A disputa entre o Departamento de Defesa e a Anthropic começou no início deste ano, depois que a desenvolvedora se recusou a remover as salvaguardas de segurança internas que impediriam os militares de usar o modelo de IA Claude em armas autônomas e vigilância em massa. A Anthropic argumentou que seus modelos não eram confiáveis o suficiente para serem usados para esses fins.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o governo não poderia permitir que as Forças Armadas americanas fossem limitadas ou tivessem suas ferramentas controladas por uma empresa privada.
Em fevereiro, ele tomou a decisão sem precedentes de classificar a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos. A classificação significa que nenhuma parte do Pentágono, incluindo contratados, poderia trabalhar com os produtos da desenvolvedora. Esse rótulo havia sido usado anteriormente apenas para empresas com supostas ligações a adversários estrangeiros.
A Anthropic entrou com uma ação judicial em março.
Juíza rejeitou inclusão da Anthropic na lista do Pentágono
Lin, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden para o Distrito Norte da Califórnia, rejeitou as alegações do Pentágono de que a incapacidade do departamento de "confiar" na Anthropic justificava a atribuição do rótulo.
"A invocação vazia da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar contra críticos do governo", escreveu ela.
Ainda acrescentou que as evidências mostram que o Pentágono queria fazer um "exemplo público da Anthropic por sua 'arrogância' ao criticar o governo, sem qualquer fundamento articulado para acreditar que a Anthropic realmente sabotaria seu modelo".
Em comunicado, um porta-voz da desenvolvedora afirmou que "acolhem com satisfação" a decisão.
"Continuamos focados em trabalhar produtivamente com o governo para aproveitar a IA em prol da nossa segurança nacional, para que todos os americanos se beneficiem dessa tecnologia", acrescentou o porta-voz.
O Pentágono não respondeu ao pedido de comentário.
A juíza Lin observou que outras partes do governo continuaram em contato com a Anthropic mesmo após a ação do Pentágono.
"Nada disso é consistente com o medo genuíno de que a Anthropic seja uma sabotadora que envenenaria seu software para prejudicar a segurança nacional", escreveu Lin.
Em entrevista concedida à Axios em junho, o presidente Donald Trump afirmou que, embora anteriormente considerasse a Anthropic uma ameaça à segurança nacional, já não acreditava nisso.
Um segundo processo movido pela desenvolvedora relacionado ao rótulo de risco da cadeia de suprimentos ainda está sendo analisado por um tribunal de Washington, DC.